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Ilma manda 60 trabalhadores para o desemprego

Ilma manda 60 trabalhadores para o desemprego
A maioria dos credores aprovou o encerramento da Indústria de Laticínios da Madeira (ILMA), situação que atira para o desemprego cerca de 60 trabalhadores, e votou também favoravelmente a liquidação do seu património. “É um dia triste”, disse à agência Lusa Rui Rocha, de 50 anos, trabalhador na empresa há 16 e um dos poucos votos contra o encerramento da unidade contabilizados na assembleia de credores que decorreu no Tribunal Judicial do Funchal.
Rui Rocha recordou outros tempos, quando “até no dia de Natal se faziam os três turnos de produção” na ILMA, onde “tudo o que se produzia se vendia”.

 “Custa muito”, desabafou o trabalhador, com cerca de seis mil euros a receber da empresa.
A responsável do Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias Alimentares de Conservas do Centro Sul e Ilhas, Maria José Afonseca, adiantou que neste momento estão na empresa cerca de 60 trabalhadores que “aguardavam sempre com fé que a ILMA ia manter-se”.
Considerando a unidade “muito importante para a região e que não devia fechar”, embora este fosse o desfecho “previsível”, Maria José Afonseca justificou a abstenção do sindicato na votação do fim da empresa: “Se votássemos contra o encerramento, a empresa não tem dinheiro, o que ia acontecer aos trabalhadores?”.
Segundo a sindicalista, os trabalhadores da unidade, onde a região detém dois por cento do capital social, “têm, desde 2010, subsídios de férias e de Natal em todos os anos” a receber e, este ano, “ainda não receberam praticamente senão um salário”.
O administrador de insolvência, Pedro Ortins de Bettencourt, que em julho anunciou que a sua proposta era o encerramento da empresa, admitiu que a “generalidade” dos créditos laborais, num total de créditos reconhecidos na ordem dos 9,1 milhões de euros, será satisfeita com a venda do património.
“Pessoalmente parece-me que, pelo menos, o grosso dos créditos dos trabalhadores acabará por ser satisfeito com a venda do património”, afirmou, adiantando: “Agora não é uma boa notícia, uma boa notícia era conseguirmos assegurar a transmissão, que houvesse um interessado na aquisição do todo, do bolo completo, e que a ILMA continuasse a laborar e a produzir na Madeira”.
A assembleia aprovou ainda a constituição de uma comissão de credores que tem dez dias para se pronunciar sobre o pedido de destituição do administrador de insolvência, solicitado por duas funcionárias.
No requerimento, apresentado pelo advogado Alexandre Carvalho da Silva, entre outras questões, é referido que o bem imóvel, ou seja a fábrica, o maior ativo da ILMA, foi avaliado em cerca de 754 mil euros, “muito abaixo do valor patrimonial” de 2,4 milhões de euros, segundo a avaliação das Finanças em 2012, além de que o “mesmo foi dado de hipoteca a entidades bancárias para garantia de um montante máximo assegurado de 5,9 milhões de euros”.

Jornal da Madeira

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