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Jardim ataca electricidade das câmaras

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O presidente do Governo Regional da Madeira mandou mesmo executar as dívidas de eletricidade das câmaras municipais perdidas pelo PSD nas últimas eleições autárquicas. O despacho da presidência do Governo Regional da Madeira, datado de 25 de Outubro e assinado pelo chefe de gabinete Luís Nuno Olim, divulgado esta manhã pelo “Diário de Notícias da Madeira”, confirma a ordem de Jardim.

No ofício, as ordens são claras e pedem a execução das dívidas de eletricidade nas Câmaras de Funchal, Santa Cruz, Porto Santo e São Vicente, autarquias que mudaram de cor nas últimas eleições. Se alguma oferecer “resistência” ou não cumprir o plano de pagamentos, lê-se no texto, a Empresa de Eletricidade deve proceder de imediato à execução dos valores em falta.

A divulgação deste documento por parte do matutino madeirense contrapõe totalmente o “desmentido” emitido ontem por Jardim. O líder do PSD-Madeira afirmou estar a ser vítima de uma “mentira canalha” por ter sido tornada pública a sua intenção de cobrar as contas da luz às câmaras que não eram do PSD.

Apesar do teor do despacho, Alberto João Jardim insiste que tudo não passa de uma “habilidade”, de “uma trafulhice” e de uma manipulação, cujo objetivo é atacá-lo. Ao segundo dia do caso da cobrança de dívidas de eletricidade por parte das sete câmaras que passaram para a oposição, o presidente do Governo emitiu dois comunicados. O primeiro para dizer que é tudo “uma trafulhice”, o segundo para explicar que a expressão “para execução” não é tão má quanto parece.

“Para execução” é uma expressão recorrente nos seus despachos e não significa, segundo Jardim, que o Governo vá executar patrimonialmente as autarquias. É, segundo se pode ler nos comunicados da Quinta Vigia, uma questão de interpretação e “manipulação”. Jardim acusa o “Diário de Notícias da Madeira” de ter manipulado o despacho, mas está descansado quanto ao julgamento da opinião pública. “O povo que julgue tudo o que está por detrás destas manobras”, sublinha.

A verdade é que o ofício, assinado pelo chefe de gabinete de Alberto João Jardim, contém ordens explícitas para que sejam cobradas as faturas de eletricidade ainda por pagar. No caso do Funchal, cuja dívida é de dois milhões e 700 mil euros, o despacho refere que a dívida será executada em caso de “resistência”. O que faz prever um braço de ferro já que Paulo Cafôfo, o novo presidente da Câmara, assegura que só haverá pagamento quando a autarquia receber o que o Governo Regional e a Empresa de Eletricidade também devem. Valor que é, segundo Cafôfo, muito superior aos dois milhões e 700 mil devidos pela autarquia.

Em Santa Cruz, outra das câmaras visadas no despacho, as dívidas em causa são antigas, remontam aos anos 90 do século passado. A nova vereação já reagiu e classifica esta medida como um ato de terrorismo e um ataque à população, que democraticamente escolheu mudar de liderança.

No Porto Santo, a informação surpreendeu o novo presidente, Filipe Menezes de Oliveira. Até porque a autarquia enviou a 10 de outubro um ofício à Empresa de Eletricidade da Madeira a solicitar a regularização da dívida de 69 mil euros.

As dívidas de eletricidade deverão merecer uma reação da Associação de Municípios da Madeira, que amanhã se reúne pela primeira vez após as eleições. Os 11 presidentes da câmara vão eleger o novo presidente e Paulo Cafôfo deverá ser o escolhido.

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