Home » Noticias » Madeira sem controlo de qualidade do ar

Madeira sem controlo de qualidade do ar

Madeira sem controlo de qualidade do ar
A Quercus alertou hoje para o incumprimento dos valores limite de partículas inaláveis em zonas do Porto Litoral, Aveiro, Estarreja e Lisboa em 2012 e para o não funcionamento das estações de controlo de qualidade do ar na Madeira. “A falta de recursos financeiros é a principal responsável pelo não funcionamento das quatro estações oficiais na região autónoma da Madeira, em clara violação do previsto na legislação e não permitindo uma avaliação da exposição da população”, salienta a associação ambientalista, em comunicado.

A mesma situação deverá justificar o que se passa em Lisboa e Vale do Tejo, “onde 14 das 25 estações presentes na base de dados tiveram uma eficiência de recolha de dados inferior ao previsto na legislação”, refere a Quercus, com base em dados da Agência Portuguesa do Ambiente.
A Agência Europeia do Ambiente (EEA) publicou hoje um relatório referente a 2006-2011 a concluir que “mais de 90% da população urbana da Europa está exposta a níveis de poluentes atmosféricos considerados perigosos para a saúde humana, sobretudo de partículas inaláveis finas (PM2.5) e ozono”.
Quando inaladas, as PM2.5 penetram nos pulmões (ao nível dos alvéolos pulmonares e bronquíolos) e podem provocar ou agravar doenças respiratórias “e, em última instância, causar a morte prematura”.
A poluição do ar nas cidades europeias é responsável por mais de 400.000 mortes prematuras por ano, com custos para os sistemas nacionais de saúde de milhares de milhões de euros, os quais, segundo os ambientalistas, poderiam ser evitados.
A poluição do ar contribui para reduzir o tempo de vida dos europeus em cerca de nove meses, em média, e é um dos principais fatores para a degradação dos ecossistemas e danificação da vegetação e das culturas agrícolas.
Para várias organizações ambientalistas europeias, como a Quercus, este estudo da EEA “é mais um apelo sério para a Comissão Europeia, mas sobretudo os governos dos Estados membros, para implementarem medidas de melhoria da qualidade do ar e assim salvaguardar a saúde dos seus cidadãos”.
Os dados da EEA para Portugal referem que, entre 2006 e 2011, as concentrações de partículas têm vindo a descer ligeiramente, comportamento também seguido nas concentrações de ozono, mas de forma menos acentuada.
Este poluente regista valores mais elevados na primavera e verão nas zonas sub-urbanas e rurais e é originado a partir das emissões de poluentes precursores nas cidades.
A descida da concentração de partículas deverá ter resultado da redução do tráfego rodoviário e da melhoria da frota, principalmente dos veículos a gasóleo.
Relativamente ao ozono, também a redução do tráfego rodoviário, de alguma atividade industrial e as condições meteorológicas mais favoráveis proporcionaram a melhoria.
“Em sentido inverso, as concentrações de dióxido de azoto, relacionadas diretamente com o tráfego rodoviário, apresentam uma tendência crescente e preocupante”, acrescenta a Quercus.
A associação critica os Estados membros, sobretudo do sul da Europa, como Portugal, por terem bloqueado a adoção de um regulamento sobre requisitos de conceção ecológica para caldeiras de aquecimento doméstico e fornos de biomassa, entre os quais os limites para as emissões poluentes.

Add a Comment

Your email address will not be published. Required fields are marked *